Governo da Tailândia contesta autoridade exclusiva da IFMA sobre o Muay Thai mundial
O governo da Tailândia divulgou um posicionamento oficial sobre a regulamentação e o desenvolvimento internacional do Muay Thai, contestando a pos... O governo da Tailândia divulgou um posicionamento oficial sobre a regulamentação e o desenvolvimento internacional do Muay Thai, contestando a possibilidade de a Federação Internacional de Associações de Muay Thai (IFMA) exercer autoridade exclusiva sobre a modalidade em escala mundial. O documento, datado de 30 de setembro de 2026, foi encaminhado ao presidente da IFMA, Dr. Sakchye Tapsuwan, pelo Ministério do Turismo e Esportes da Tailândia e posteriormente divulgado na página oficial do Escritório do Comitê de Boxe, órgão vinculado à Autoridade Esportiva da Tailândia (SAT), no Facebook. Na comunicação, o ministério afirma que a legislação tailandesa não concede a nenhuma organização autoridade exclusiva para controlar, administrar ou regulamentar todas as atividades relacionadas ao Muay Thai. A manifestação representa um importante posicionamento institucional diante das divergências envolvendo a IFMA, federações internacionais e organizações responsáveis por competições profissionais, eventos comerciais e programas de divulgação Leia completo no AcervoThai

O governo da Tailândia divulgou um posicionamento oficial sobre a regulamentação e o desenvolvimento internacional do Muay Thai, contestando a possibilidade de a Federação Internacional de Associações de Muay Thai (IFMA) exercer autoridade exclusiva sobre a modalidade em escala mundial.
O documento, datado de 30 de setembro de 2026, foi encaminhado ao presidente da IFMA, Dr. Sakchye Tapsuwan, pelo Ministério do Turismo e Esportes da Tailândia e posteriormente divulgado na página oficial do Escritório do Comitê de Boxe, órgão vinculado à Autoridade Esportiva da Tailândia (SAT), no Facebook.
Na comunicação, o ministério afirma que a legislação tailandesa não concede a nenhuma organização autoridade exclusiva para controlar, administrar ou regulamentar todas as atividades relacionadas ao Muay Thai.
A manifestação representa um importante posicionamento institucional diante das divergências envolvendo a IFMA, federações internacionais e organizações responsáveis por competições profissionais, eventos comerciais e programas de divulgação cultural da arte marcial tailandesa.
Embora reconheça a importância da IFMA no desenvolvimento do Muay Thai amador e sua ligação com o Movimento Olímpico, o governo defende que essa atuação não pode impedir outras organizações de promover a modalidade internacionalmente.
Governo tailandês afirma que IFMA não possui autoridade exclusiva sobre o Muay Thai
Um dos principais pontos do documento é a afirmação de que nenhuma entidade possui exclusividade legal para administrar todas as manifestações do Muay Thai.
Segundo o Ministério do Turismo e Esportes, a Lei do Boxe da Tailândia, promulgada em 1999, estabelece competências específicas para o Escritório do Comitê de Boxe, órgão governamental responsável pela regulamentação e supervisão da modalidade no país.
A instituição, subordinada à Autoridade Esportiva da Tailândia, possui atribuições relacionadas à preservação, promoção, desenvolvimento, certificação e regulamentação do Muay Thai.
O documento ressalta que essas responsabilidades incluem a implementação de políticas públicas e a promoção internacional da arte marcial, considerada parte fundamental do patrimônio cultural tailandês.
O governo também afirma que possui legitimidade para cooperar com organizações públicas, privadas e esportivas de diferentes países, desde que essas atividades respeitem as legislações aplicáveis.
Nesse contexto, a Tailândia sustenta que a IFMA deve atuar dentro dos limites de suas responsabilidades, sem interferir em atividades profissionais, comerciais ou culturais realizadas por outras entidades.
Cartas enviadas pela IFMA teriam provocado conflitos internacionais
De acordo com o documento oficial, a IFMA enviou correspondências a diversas organizações esportivas nacionais e internacionais buscando o reconhecimento de sua autoridade como principal entidade responsável pela regulamentação mundial do Muay Thai.
O ministério afirma que essas iniciativas teriam provocado confusão sobre as competências legais das diferentes organizações envolvidas na modalidade.
Segundo o posicionamento tailandês, as interpretações sobre a autoridade da IFMA também teriam criado dificuldades para profissionais e entidades que atuam na organização de atividades e competições internacionais.
A carta menciona sete categorias profissionais reconhecidas pela legislação tailandesa: lutadores, treinadores, árbitros, empresários de boxe, responsáveis por campos de treinamento, proprietários de arenas e organizadores de competições.
Esses profissionais, assim como organizações independentes, teriam enfrentado obstáculos para desenvolver determinadas atividades no exterior.
O documento também cita correspondências encaminhadas pela Federação Francesa de Kickboxing, Muay Thai e Disciplinas Associadas (FFKMDA) e pela USA Muaythai, ambas ligadas à IFMA.
Essas entidades manifestaram preocupações sobre iniciativas de promoção internacional do Muay Thai realizadas sem a participação de organizações reconhecidas pela federação internacional.
Entre os argumentos apresentados estava o receio de que essas atividades pudessem prejudicar a posição do Muay Thai no cenário esportivo internacional e os esforços para sua inclusão no programa dos Jogos Olímpicos.
O governo tailandês, entretanto, argumenta que programas culturais, educacionais e comerciais não devem ser confundidos com competições esportivas realizadas dentro da estrutura do Movimento Olímpico.
Documento menciona denúncias de possíveis práticas monopolistas na Europa
Outro ponto de destaque da comunicação oficial envolve denúncias apresentadas em Atenas, na Grécia, relacionadas à atuação internacional da IFMA e da Federação Pan-Helênica de Muay Thai (PMF).
Segundo o ministério, uma comunicação recebida em julho de 2026 informou sobre uma denúncia formal que alegava possíveis violações da legislação concorrencial e práticas monopolistas no setor.
As acusações mencionadas no documento incluem suposto abuso de posição dominante no mercado, tentativas de controlar a organização de competições, direitos de transmissão, contratos de patrocínio e a exclusão de promotores independentes.
O governo tailandês informa que a comunicação foi apresentada no contexto de mecanismos europeus de proteção a denunciantes.
As alegações, entretanto, não representam uma conclusão judicial sobre a conduta das organizações citadas.
O documento disponibilizado não apresenta uma decisão definitiva de autoridade judicial ou concorrencial que comprove as supostas irregularidades.
Mesmo assim, a inclusão dessas denúncias em uma manifestação oficial do governo tailandês evidencia a dimensão das divergências envolvendo a administração internacional do Muay Thai.
Governo diferencia Muay Thai olímpico do Muay Thai profissional
O Ministério do Turismo e Esportes também destaca diferenças fundamentais entre o Muay Thai amador, representado pela IFMA no Movimento Olímpico, e o Muay Thai profissional.
Segundo o governo, os dois segmentos apresentam objetivos, sistemas de competição, regulamentos, equipamentos e modelos econômicos distintos.
O Muay Thai amador associado à estrutura olímpica utiliza regulamentos específicos, incluindo exigências de equipamentos de proteção em determinadas categorias.
Já o Muay Thai profissional está ligado a uma indústria internacional de entretenimento esportivo, transmissões, patrocínios e grandes competições.
O documento cita organizações e eventos como ONE Championship, Thai Fight, Rajadamnern World Series (RWS) e e eventos mundiais de organizações.
Essas competições seguem modelos próprios de organização e possuem receitas provenientes de direitos de transmissão, patrocínios, publicidade e outras atividades comerciais.
O governo sustenta que essas estruturas não devem ser automaticamente submetidas às mesmas exigências administrativas das competições amadoras ligadas ao Movimento Olímpico.
Para as autoridades tailandesas, é necessário respeitar as diferenças entre as atividades esportivas, amadoras, profissionais e comerciais para permitir o desenvolvimento de todos os segmentos da modalidade.
Projetos culturais de Muay Thai também estão no centro da controvérsia
O posicionamento oficial também aborda divergências envolvendo iniciativas do governo tailandês destinadas à divulgação internacional do Muay Thai.
Entre os programas citados estão as Muaythai Master Classes, que promovem atividades educacionais com especialistas da modalidade, e o Standard Muaythai Gym (SMG), sistema de certificação destinado a centros de treinamento.
Esses projetos integram a estratégia da Tailândia para fortalecer a presença internacional do Muay Thai, promover sua cultura, incentivar o turismo esportivo e estimular a economia nacional.
Segundo o ministério, essas iniciativas não envolvem a realização de competições esportivas e possuem objetivos diferentes daqueles relacionados à organização de campeonatos internacionais.
As atividades são desenvolvidas em cooperação com embaixadas tailandesas e instituições locais, respeitando as legislações dos países participantes.
O governo argumenta que a divulgação cultural do Muay Thai deve permanecer aberta à participação de diferentes organizações, sem depender exclusivamente da autorização de uma federação esportiva internacional.
Tailândia reconhece papel olímpico da IFMA, mas defende limites para sua atuação
Apesar das críticas apresentadas no documento, o Ministério do Turismo e Esportes reconhece a contribuição da IFMA para a promoção e o desenvolvimento internacional do Muay Thai amador.
A federação é reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e desempenha um papel importante nos esforços para ampliar a presença da modalidade no Movimento Olímpico.
O documento menciona que a IFMA possui representantes em 157 países e atua por meio de federações nacionais filiadas.
Entretanto, o governo tailandês sustenta que o reconhecimento olímpico não significa possuir autoridade exclusiva sobre todas as atividades relacionadas ao Muay Thai.
A manifestação também ressalta que a IFMA não está registrada sob a Lei da Autoridade Esportiva da Tailândia de 2015, destacando a diferença entre sua condição de organização esportiva internacional e as competências estabelecidas pela legislação tailandesa.
Para o ministério, o desenvolvimento sustentável do Muay Thai depende da cooperação entre entidades, respeitando as responsabilidades de cada organização.
O posicionamento defende que nenhuma instituição deve impor restrições indevidas à atuação de outras entidades que promovem o esporte de maneira legítima.
Publicação oficial reforça posicionamento do governo tailandês
A divulgação do documento na página oficial do Escritório do Comitê de Boxe da Tailândia, vinculado à Autoridade Esportiva da Tailândia (SAT), reforça o caráter institucional da manifestação.
A publicação apresenta o conteúdo como o posicionamento oficial do Ministério do Turismo e Esportes sobre a governança, promoção e desenvolvimento internacional da indústria do Muay Thai.
O texto divulgado afirma que iniciativas atribuídas à IFMA teriam provocado interpretações equivocadas sobre a autoridade de diferentes organizações, além de afetar profissionais e promotores de atividades internacionais.
A manifestação também reafirma a competência do governo tailandês para desenvolver políticas públicas destinadas à preservação e à promoção da modalidade no exterior.
Ao tornar pública essa posição, as autoridades tailandesas levam a discussão para além das correspondências entre federações, ampliando o debate sobre o papel das instituições que atuam no desenvolvimento mundial do Muay Thai.
Posicionamento pode influenciar o futuro do Muay Thai internacional
A manifestação do governo tailandês coloca em evidência uma discussão que envolve o futuro da administração internacional do Muay Thai, especialmente as relações entre organizações amadoras, entidades profissionais e instituições responsáveis por sua promoção cultural.
A Tailândia, país de origem da modalidade, considera o Muay Thai parte fundamental de seu patrimônio cultural e de sua indústria esportiva.
Ao defender que nenhuma organização possui autoridade exclusiva sobre todas as atividades ligadas à arte marcial, o governo reforça sua intenção de preservar espaço para diferentes modelos de desenvolvimento e promoção internacional.
O documento não retira o reconhecimento da IFMA no Movimento Olímpico nem determina sua exclusão das atividades esportivas internacionais.
Entretanto, estabelece a posição oficial de que a federação deve respeitar os limites de suas atribuições e evitar interferências em atividades desenvolvidas por outras organizações.
A comunicação também defende princípios de transparência, igualdade de oportunidades, cooperação institucional e respeito às legislações nacionais.
Para a comunidade internacional do Muay Thai, o posicionamento representa um desenvolvimento relevante no debate sobre a regulamentação da modalidade.
A discussão envolve não apenas federações e dirigentes, mas também lutadores, treinadores, proprietários de academias, promotores de eventos e outras organizações que participam diretamente da expansão internacional do esporte.
A posição apresentada pelo governo tailandês é clara: o desenvolvimento do Muay Thai deve ocorrer por meio da cooperação entre diferentes setores, sem concentração exclusiva de autoridade e com respeito às atividades esportivas, profissionais, comerciais e culturais.
Fonte: Ministério do Turismo e Esportes da Tailândia — documento oficial de 30 de setembro de 2026, divulgado pela página do Escritório do Comitê de Boxe da Tailândia, órgão vinculado à Autoridade Esportiva da Tailândia (SAT), no Facebook.